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2017-12-19 13:55:53

Mais um ano de remoções de exóticas em prol do saramugo

Nas últimas décadas tem-se assistido à introdução de várias espécies de peixes exóticos nos rios portugueses. Estas têm um efeito imprevisível e é com o passar do tempo que se conhecem as derradeiras consequências da sua presença ao nível do habitat e da vida aquática. De um modo geral estas espécies exercem predação direta sobre os ovos, os juvenis e os adultos de outros peixes, competindo ainda por alimento, oxigénio e refúgio. Nos cursos de água do sul de Portugal, esta pressão é particularmente evidente na época de estio, período em que as ribeiras ficam reduzidas a pequenos pegos onde se concentra a biodiversidade aquática.


 

Como fator de ameaça à conservação de espécies autóctones, onde se incluí o saramugo, a equipa do Projeto LIFE Saramugo tem efetuado, desde 2015 e de forma sistemática, remoções de peixes exóticos na ribeira do Vascão durante os meses mais quentes do ano (estio), dando continuidade ao trabalho já efetuado pelo ICNF desde 2005.
 


 

Este ano, contando com o apoio de 21 voluntários, removeram-se um total de 6.207 exemplares de espécies exóticas, das quais 50% eram achigãs (Micropterus salmoides) e outros 50% perca-sol (Lepomis gibbosus). O chanchito (Australoheros facetus), outrora bastante capturado, ocorreu este ano em número residual (3 exemplares).
 


No conjunto dos 3 anos de remoções capturaram-se no total: 18.988 exemplares de peixes exóticos. Desta forma contribuiu-se para minimizar a pressão que aquelas espécies exercem sobre as espécies nativas durante o estio (verão/outono). Estas ações terão contribuído para a sobrevivência do saramugo e de muitos outros peixes autóctones, como a boga-do-Guadiana (Pseudochondrostoma willkommii) ou o bordalo (Squalius alburnoides).

A equipa do LIFE Saramugo agradece a todos os voluntários que dedicaram parte do seu verão à conservação do saramugo, uma espécie “Criticamente em Perigo”, e que em muito contribuíram para alcançar os resultados obtidos.
 


Não deixe de ler o testemunho do voluntário Guillermo Sobrino que nos acompanhou este verão, aqui.

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