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2017-04-18 13:07:12

Qualidade biológica das ictiocenoses na bacia do Guadiana

No âmbito da Ação A3 do projeto LIFE Saramugo foi efetuada uma atualização da situação populacional do saramugo na bacia hidrográfica do rio Guadiana. Para o efeito, na primavera de 2015, as equipas do projeto realizaram a amostragem da ictiofauna em 45 estações de amostragem, de acordo com o protocolo de amostragem estabelecido pela Autoridade Nacional da Água, no âmbito da implementação da Diretiva-Quadro da Água (DQA).

A aplicação da referida metodologia de amostragem possibilitou o cálculo do índice normativo, o F-IBIP (Índice Piscícola de Integridade Biótica para Rios Vadeáveis de Portugal Continental). Este índice assenta numa tipologia piscícola para Portugal, com distintos agrupamentos piscícolas, sendo que as estações de amostragem realizadas neste estudo ficaram enquadradas em dois agrupamentos: i.) 4 - Ciprinícola de Pequena Dimensão das Regiões Norte Interior e Sul; ii.) e 5 - Ciprinícola de Média Dimensão da Região Sul.

À semelhança de outros índices de integridade biótica, o F-IBIP é constituído por diversas métricas que tentam refletir características estruturais e funcionais básicas dos diferentes grupos piscícolas. Como resultado, o F-IBIP varia entre 0, correspondente a má qualidade, e 1, correspondente a excelente qualidade (ver tabela 1), existindo também a divisão em cinco classes de qualidade ecológica de acordo com os pressupostos da DQA.




 
Do trabalho desenvolvido, verificou-se que as ribeiras localizadas mais a Sul (Foupana, Odeleite e Vascão) apresentaram, genericamente, uma   qualidadeBom ou Excelente, resultante da ausência ou presença residual de exemplares exóticos, associado à percentagem expressiva de espécimes que se alimentam de invertebrados. Situação análoga é verificada nas ribeiras da Murtega e do Álamo, assim como no setor superior dos rios Caia (incluindo ribeira de Arronches) e Chança.

O setor terminal da ribeira do Chança, a bacia do Ardila (ribeiras do Safarejo e Murtigão) e as estações de jusante das ribeiras da Foupana e do Vascão ficaram enquadradas na classe Razoável. Esta classificação decorre das comunidades piscícolas apresentarem intrusão de espécies exóticas e/ou diminuição de exemplares invertívoros, para além da ausência de algumas espécies ciprinícolas intolerantes.

No que respeita à bacia do Xévora e às ribeiras da Pardiela, Lucefécit e Carreiras, a forte presença de espécies exóticas e a concomitante ausência/presença residual de ciprinídeos nativos justificaram a classificação em estado Medíocre ou Mau.


Genericamente existiu uma coincidência entre os setores fluviais em estado Bom ou Excelente e a presença de saramugo, particularmente ao nível dos rios Chança (setor superior), Foupana, Odeleite e Vascão. O saramugo foi também identificado nas ribeiras do Murtigão e de Safareja (bacia do Ardila) assim como no trecho inferior do rio Chança, tendo estas estações ficado enquadradas na classe Razoável. 

No último ano do projeto LIFE Saramugo as monitorizações e o cálculo do F-IBIP serão repetidos nas sub-bacias onde foram concretizadas ações de melhoramento e/ou recuperação do habitat do saramugo. Desta forma será possível aferir da evolução das comunidades piscícolas e, indiretamente avaliar a eficácia das ações de beneficiação realizadas no âmbito do projeto.



 

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