
43.309 ha
O SIC Moura/Barrancos situa-se no Alentejo e parte da sua área faz fronteira com Espanha.
No SIC Moura/Barrancos estão identificados 19 habitats naturais e semi-naturais listados no anexo B-I da Diretiva Habitats, dos quais 2 são prioritários.
Neste SIC o ancestral uso agrícola e pastoril do território acentua o mosaico, diversificando a paisagem. Nalgumas zonas a vinha e o olival integram também o mosaico agrícola. A ocupação
humana é baixa e concentrada em quatro áreas. Nas encostas com maior declive, caso das serras da Adiça e da Preguiça, dominam os matos. Nas zonas com baixos declives ocorrem extensas áreas com povoamentos dominados por azinheira (Quercus rotundifolia), com diferentes densidades e graus de utilização, sustentando um gradiente de naturalidade que vai do montado de azinho (6310) ao azinhal (9340).
A utilização agro-pastoril tradicional e extensiva dos antigos azinhais sobre xistos origina a existência, em mosaico, de carrascais (5330), piornais e de uma importante extensão de pastagens espontâneas vivazes sob-coberto (6220*). Em áreas mais chuvosas surgem também montados de sobro (6310) e bosquetes de sobreiro (Quercus suber) (9330).
O SIC inclui um dos abrigos mais importantes do país para morcegos cavernícolas, abrigando colónias de criação de várias espécies, tais como morcego-de-ferradura-mourisco (Rhinolophus mehelyi), morcego-rato-grande (Myotis myotis) e o morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersi). É também o principal abrigo de hibernação, a nível nacional, de espécies do género Rhinolophus. O SIC inclui também cursos de água importantes para a lontra (Lutra lutra) e para os cágados (Emys orbicularis e Mauremis leprosa), bem como para o mexilhão-de-rio (Unio crassus). É também local de ocorrência histórica de lince-ibérico.
A nível das espécies piscícolas, é um dos SIC mais importantes na conservação de espécies piscícolas autóctones, como o saramugo (Anaecypris hispanica), a cumba (Luciobarbus comizo), a boga-de-boca arqueada (Iberochondrostoma lemmingii) e a boga-do-Guadiana (Pseudochondrostoma willkommii), entidade descrita a partir da boga (Chondrostoma polylepis), sendo este um dos quatro SIC onde está representada esta espécie.
(Ver as espécies de peixes autóctones do Guadiana aqui).
Para este SIC estão previstas: ações de remoção de espécies piscicolas exóticas (C1), minimização do impacto do gado na linha de água (C2), reabilitação do meio aquático e requalificação hidromorfológica (C3), a implementação da rede de custódia para o saramugo (C6), bem como, ações de monitorização da situação populacional do saramugo (D1), monitorização das ações de gestão do projeto (D2), e também a maioria das ações de sensibilização E.
Mais informações sobre o SIC Moura Barrancos.